terça-feira, 24 de janeiro de 2012

E se?

De todas minhas perdas, você incomparavelmente foi a maior. De todos meus delírios, você foi o mais insano. De todos meus amores, você foi o empate. Talvez por isso que te procuro em restos de textos, músicas antigas, fotos e memórias. Eu sei que você sempre estará lá no fundo com um sorriso brilhante, esperando por meu abraço, esperando para reconectar nossas vidas, um labirinto infindável. 
Mas por quê? Por que teus vestígios ainda incomodam os meus? Há tantas lembranças espalhadas pelo chão, porém as suas sempre me prendem, me atraem, como um ímã. Poderia passar horas revivendo nossos anos, recolhendo cada detalhe e fazendo um mapa de nossas vidas, tentando revelar para mim onde nós despedaçamos. 
Tudo é cercado por um "se". E se...? E se nós tivéssemos existido? E se tudo acontecesse assim como pretendíamos? E se não houvessem mentiras? Se o tempo parasse? Três anos fluíram, escorreram como areia em minhas mãos. E se eu pudesse retornar no tempo? E se...? Eu sei que é impossível.
O que me atrai em todos nossos embaraços são os meios sem fins o que quase fomos e não conseguimos. O interrompido, negado. Eu nunca vou saber o que havia atrás da porta, da máscara, da voz. Restaram apenas destroços do nosso enigma que estará sempre enterrado em meu coração, preenchido de quases, de tentativas e falhas. 

"I know someday you'll have a beautiful life..."
Black - Pearl Jam

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Correndo pela brisa da cidade.


Abri minha bolsa e retirei um, coloquei-o entre meus lábios e em um flash de luz a fumaça misturou-se com o ar. Fiquei parada ali te observando ir embora com todas as suas verdades atrás dos olhos, apelos na língua e mãos dormentes. Todas as suas palavras eram tragadas por mim, eu pude sentir a sua respiração correr meu pulmão e depois caminhar na brisa diurna. Talvez eu devesse esperar mais uns cinco minutos, caso você voltasse e revirasse seus olhares em busca de decência nos meus, mas não sobrou nada, uma gota mínima de limpidez.
Eu sabia que você não voltaria e alucinadamente eu me perdia entre os espaços do tempo sentada na cadeira daquele café, cada tragada manchava o vermelho da minha vida, agora tudo era negro e sublime, negro e solitário assim como os seus inalcançáveis tormentos. Era manhã, o sol aquecia, mas nada queimava, tudo apenas cristalizava e enfeitava o meu céu particular.
Subitamente decidi levantar e deixar as lembranças ali sentadas para o nosso próximo encontro com hora, lugar e traições marcadas não apenas no relógio, mas em nossos rumos. Então caminhei pela rua observando o colorido dos carros que passavam a procura de um destino, cheios de corpos de almas vazias, com suas histórias rasuradas atrás de seus vidros fechados a procura de proteção, a procura de amparo e de independência para viverem seus próprios sentimentos sem precisar esconder-se na sobras das sombras de outros corpos tão perversos. Outro flash de luz diante dos meus olhos, a fumaça de espalha pela avenida levando embora metade de meus anseios e desculpas. Passos lentos e coordenados me levavam a lugar algum, eu não tinha itinerário, não haviam pontos nem embates, apenas eu tragando meus reconhecimentos e lançando nos ares enfeitiçados do centro da cidade.
Meu sofá não era precisamente o melhor retiro no momento, eu precisava aliviar-me em outros espaços, deleitar-me em outras camas e aspirar recriações. Procurei incessavelmente pela pequena agenda no minúsculo espaço da minha bolsa, passei meus dedos pelos nomes e números, por que estavam tão distantes agora? Não pude sentir suas existências tocarem a minha, vaguei meus dedos nervosos por todas as páginas até encontrar teu nome, minha perturbação, minha pulsação, insaciedade, ódio e metade. Não pude, não podia lhe telefonar, era injusto, indigno, uma voz vazia do outro lado da linha me consumiria. Decidi por fechar a agenda e colocá-la na bolsa novamente.
Mais uma vez mesclei meus sentimentos com os da cidade, um flash de milissegundos acendia minhas inspirações. Continuei caminhado sem observar meu redor, continuei deixando tudo para trás e redescobrindo as esquinas. Termino sem rumo, sem paz nem acalanto para repousar minhas mágoas, termino com um cigarro entre os lábios manchado de batom vermelho, tentando fazer parte de um mundo onde o único espaço que me coube foi misturar meus sentimentos com o ar, levando um pouco de mim para as vidas, correndo pela brisa da cidade, levando tão longe até chegar em você. Então meu telefone tocará novamente e recomeçará toda minha jornada achada por estas mesas,  tão conhecidas e inventadas por nós.

Filme: Quase Famosos



Quase famosos ou Almost Famous é um filme estadunidense exibido em 2000. O filme retrata a cena musical dos anos 70, contando a história da primeira turnê da banda fictícia Stillwater que está sendo acompanhada por um jornalista amador, o William Miller recém contratado da Rolling Stone. O filme, escrito por Cameron Crowe conta suas próprias experiências quando jovem enquanto acompanhava uma turnê do Led Zeppelin e no elenco contamos com a Kate Hudson (Noivas em Guerra) a lindíssima Zooey Deschanel (500 dias com ela), Patrick Fugit (Galera do Mal) e Billy Crudup (Watchmen).
O filme valoriza a cena rock n' roll contando com citações, posters e referências a vários ícones do estilo. Com uma trilha sonora impecável, o filme conta com canções do Led Zeppelin, The Who e Elton John. Para aqueles que gostam de cinema e rock n' roll, fica a dica! 

domingo, 15 de janeiro de 2012

A Alegria na Tristeza.

‎"Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir. Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora. Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento. Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida. Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada."


Uma crônica da Martha Medeiros.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Os artistas mais ouvidos de 2011.

Gente, o site da Last.fm divulgou os 100 artistas mais ouvidos de 2011 em seu site. A extensa lista conta com os mais diversificados estilos musicais, como Indie Rock, Pop e Hip-Hop. Achei bem interessante a iniciativa, pois o site conhecido por hospedar músicas de diversos artistas. Podemos observar veteranos como Roxette e até bandas pouco conhecidas, porém, com ótima qualidade musical como o The Pains Of Being Pure at Heart. A novidade não para por aí! Também há a lista das maiores revelações do ano e do número de scrobbles (execuções) de cada artista de acordo com os eventos relacionando seus nomes. Para todos aqueles interessados em música, vai uma dica: Vale a pena conferir!

Clique aqui.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012


Vejo todos conseguindo suas vitórias e realizando seus sonhos. Então mais uma vez olho para o céu e pergunto: Quando será minha vez?

A moça do sonho.

Certa noite tive um sonho, sonhei com uma moça de cabelos castanhos levemente caídos na altura dos ombros, com um gracejo e leveza tão próprios como se tivessem sido doados para si. A moça usava apenas um vestido branco de renda, na altura do joelho, sua pele levemente bronzeada iluminava a cor do sol transparecendo sua verdadeira beleza. Seus grandes olhos verdes, olhavam para baixo enquanto ela caminhava e chutava as pedras no chão levantando a poeira.
Ela caminhava, procurando seu rumo, sua direção entre tantos caminhos, qual seguir? A vida estava a levando para outros lugares, sua cabeça fervilhava de ideias, seus amigos já não a interessavam tanto, havia cansado dos mesmos lugares, mesmas pessoas. A moça do sonho buscava aventura, ela queria sair para ver o mundo, seu coração desejava o inesperado. Ela queria correr riscos, sentir medo, queria se sentir livre de tudo que a aprisionava naquele lugar.
Era tão difícil para ela saber o que realmente estava acontecendo, enquanto todos cresciam e tomavam seu rumo, ela sentia medo de estar só. A moça do sonho iniciava a sua busca pelo seu desejo. Olhares colados em janelas de cabines de trens, de aviões e de carros. O mundo lá fora era tão atraente, as fotos e luzes embaraçavam a sua visão a puxava e absorvia. A moça do sonho queria viver, viver era o sonho da moça do meu sonho. Meu sonho era seu sonho. Nós éramos uma só.

Big Brother Brasil: Desabafo.



Começou novamente dia dez o Reality Show mais famoso do Brasil, o Big Brother Brasil. Um programa que conta com participantes esbeltos, sarados, bem empregados e cheios de carisma. Como qualquer programa de tv, existem pessoas que não perdem um só dia e aquelas que resolvem puxar a tomada da tv para evitar desgosto. Produzido pela Endemol e exibido pela Rede Globo de Televisão, o BBB está na sua 12º temporada, o programa tem duração média entre três e quatro meses e no seu final é escolhido através de votos o "novo milionário do Brasil".
Bem, o problema do BBB é o empobrecimento da cultura e a alienação das massas, um problema tão comum no Brasil. Milhões de brasileiros sentam-se em frente aos seus aparelhos de tv para se distrair vendo o "programinha". A Rede Globo fatura milhões com as inúmeras ligações, sms e até mesmo assinaturas pay-per-view para o acompanhamento do mesmo, acreditando em um programa no qual tudo é uma farsa. Não se veem mais empregadas domésticas no BBB, desempregados, pobres de verdade. Apenas pessoas de bem com a vida, bonitas, malhadas, que falam um bom português, baladeiras e afins. Elas entraram por acaso? Óbvio que não. Em uma das edições o próprio "brother" Diego Alemão afirma ter sido convidado para participar da casa: 



Do mesmo jeito que ele foi convidado, a Globo manipula todo o sistema do Reality Show, escolhendo os vencedores ela mesma. Muitas falcatruas rolam por detrás das câmeras, enquanto o povo brasileiro é facilmente manipulado. Ao invés de exibirem programas deste tipo, que empobrecem a mente e não acrescentam nem um pouco de cultura ou conhecimento na vida das pessoas, a Rede Globo deveria investir em programas educativos nos quais ela já exibe, porém, em um horário quase inacessível para todos  (cinco, seis horas da manhã). Todos não deveriam dar ibope a este tipo de programa que apenas atrofia as mentes para o conhecimento, é tudo uma grande farsa. A melhor saída é desligar a tv e ler um livro!
EU DIGO NÃO AO BBB!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Propagação ilusória.

"Have I found you? Flightless bird, jealous, weeping...

A música na rádio colore minhas memórias, me transporta para os dias de outono que você estava aqui, dançando lentamente no meio da sala, afagando meus cabelos e reluzindo seu sorriso pelo ar, o céu desbotado recobria nosso momento com pequenos pontos estelares que desabavam sobre nossas cabeças e cobriam o chão de mistério. Quando eu ainda podia enxergar todas as cores nos seus olhos, respirar o seu ar e esquentar minha cabeça no seu peito, quando todos os minutos eram incabíveis no espaço de um dia. Agora eu desespero meus dedos entre suas cartas, me agarro insistentemente as suas recordações, me prendo aos seus cheiros, passo horas pensando em como tudo foi bom, tão bom que esqueci que haveria um final. Ainda posso sentir sua presença nesta sala vazia, entre os escombros das minhas memórias, posso sentir você me observar silenciosamente e rir baixinho, posso ouvir sua voz sussurrar pelos cantos deste lugar. Sinto você, vejo você. Porém vem a brisa me lembrar que é apenas uma propagação ilusória da minha saudade.

...Or lost you? American mouth, big bill looming."

Livro da semana: As Boas Mulheres da China: Vozes Ocultas.


Um dos livros mais tocantes que já li. Escrito pela Jornalista chinesa Xinran Xue entre 1989 e 1997, este livro conta a vida e o sofrimento das mulheres chinesas de diferentes classes sociais que enviavam cartas anônimas para o seu programa de rádio "Palavras na brisa noturna" ou até mesmo algumas histórias pessoais da autora que preservou a identidade de todas mulheres mudando seus nomes. Neste livro podemos perceber o atraso político e cultural na China comunista, analisamos como as mulheres eram rebaixadas e vistas como inúteis e descartáveis em meio a sociedade. Seu livro foi rejeitado pela censura do partido por revelar aspectos que até então a população ainda não conhecia, portanto Xinran teve que se mudar para Londres para poder publicá-lo. Um livro que com certeza emociona, choca e nos envolve com suas histórias. Valeu a pena ter lido. Recomendo uma boa leitura para vocês. Segue um trecho:
"A minha sala ficava no décimo sexto dos vinte e um andares daquele prédio moderno e severo. Eu preferia subir a escada a arriscar-me a usar o elevador, que não merecia confiança e quebrava freqüentemente. Quando cheguei à minha mesa, percebi que tinha deixado a chave da bicicleta no cadeado. Com pena de mim, um colega se ofereceu para telefonar para o porteiro. Isso não era muito fácil porque, na época, nenhum funcionário de baixo escalão tinha telefone e o meu colega teria que ir à sala do chefe da seção para fazer o telefonema. No final alguém me trouxe a chave, junto com a minha correspondência. Em meio à grande pilha de cartas, uma me chamou a atenção imediatamente: o envelope tinha sido feito com a capa de um livro e havia uma pena de galinha grudada nele. Segundo uma tradição chinesa, uma pena de galinha é sinal de pedido de socorro urgente."
Onde encontrar:

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Nota.

Peço desculpas por não postar muito nas últimas semanas, é que estive muito ocupada com todas as festividades de fim de ano e aproveitando minhas férias com meu namorado que veio passar um tempo comigo. Minha cabeça está cheia de ideias e brevemente eu voltarei a publicá-las. Um feliz 2012 atrasado para todos e obrigada! :D


Ainda há um pouco de seu gosto em minha boca. <3
Nunca se esqueça nenhum segundo, que eu tenho o amor maior do mundo. Como é grande o meu amor por você.


Para você, B.

Ausência.

Ficou um espaço, um vazio, uma lacuna, um território abandonado. Posso ouvir sua voz ecoando pelos cômodos desta casa, sorrindo pelas paredes, acariciando meus ouvidos. Seus passos lentos raspando pelo piso, fazendo meu corpo esperar pelo calor do seu. O seu cheiro ficou preso nas cobertas, nos colchões, na minha pele. O seu gosto ainda passa pela minha boca, ainda está preso lá. A nossa música preferida tocando na rádio. Cada pedaço meu se desfaz longe de você, como se você estivesse ido trabalhar e a noite voltasse, eu me arrumo e te espero ansiosamente, mas eu sei que você não virá, eu não sei quando você virá novamente.
Os seus detalhes espalhados pelo chão do meu quarto, as lembranças correndo desordenadamente pela minha cabeça, a vontade incessável de sentir sua presença. O você que não está mais aqui, o fantasma que eu criei para sobreviver. O tempo parou desde que você partiu, os ponteiros congelaram e eu não posso mais ouvir o correr das estações, ver o som do tempo. Saudades de você, saudades do que eu fui com você, saudades de nós.