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segunda-feira, 19 de março de 2012

Ensaio sobre saudade.

Parece que você está só, algo te falta e fica latente gritando por algo que ocupe o vazio e desesperadamente você corre em busca de vestígios para refazer suas lembranças. Aquela súbita vontade de virar lixo cósmico, pó estelar - se desfazer - se esconder para sempre onde ninguém mais possa te encontrar. Ir à um lugar onde o mundo não possa gritar as obrigações ao pé do teu ouvido, onde os sentimentos dos outros não irão atormentar os teus e te atrair.
Me sinto assim, mereço um lugar só meu, eu mereço ser feliz de verdade ao menos uma vez, está na hora de receber meu prêmio, mas onde ele está? Tantos anos esperando a minha recompensa, o pagamento e ele nunca vem. Espero eternamente na fila dos desesperados e qualquer indício de luz, eu volto a me animar como uma criança que deseja diversão, até alguém me destruir novamente.
Na realidade, fui mal acostumada. Mal acostumada por você e pelos outros, por esta mania insignificante que transborda dentro de mim de achar que eu estou esperando por algo que nunca virá, pela esperança que todos insistem em alimentar enquanto eu a sufoco. 
Foi amor, foi amor demais a todas as coisas, foi colocar muito amor em tudo que fiz e esperar que todas estas coisas me amassem de volta, que grande fantasia da minha alma pedinte por um pouco de atenção. As coisas nunca me reconheceriam, elas são carentes de toda minha empatia.
Então me isolo, procuro abrigo em mim pro abismo que eu criei. Tento me salvar de mim, fingir que esqueci o que faço questão de relembrar a cada mísero segundo e quando observo que não há mais solução, me desfaço aos pouquinhos como pétalas no outono, vou espalhando de pedacinho em pedacinho como grãos de areia levados pelo vento, vou me afastando de tudo que me corrói. Deixo amigos, lugares, lembranças. Porém é tudo em vão, afasto-me fisicamente, mas deixo meus olhos para tomarem conta de todos.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

E se?

De todas minhas perdas, você incomparavelmente foi a maior. De todos meus delírios, você foi o mais insano. De todos meus amores, você foi o empate. Talvez por isso que te procuro em restos de textos, músicas antigas, fotos e memórias. Eu sei que você sempre estará lá no fundo com um sorriso brilhante, esperando por meu abraço, esperando para reconectar nossas vidas, um labirinto infindável. 
Mas por quê? Por que teus vestígios ainda incomodam os meus? Há tantas lembranças espalhadas pelo chão, porém as suas sempre me prendem, me atraem, como um ímã. Poderia passar horas revivendo nossos anos, recolhendo cada detalhe e fazendo um mapa de nossas vidas, tentando revelar para mim onde nós despedaçamos. 
Tudo é cercado por um "se". E se...? E se nós tivéssemos existido? E se tudo acontecesse assim como pretendíamos? E se não houvessem mentiras? Se o tempo parasse? Três anos fluíram, escorreram como areia em minhas mãos. E se eu pudesse retornar no tempo? E se...? Eu sei que é impossível.
O que me atrai em todos nossos embaraços são os meios sem fins o que quase fomos e não conseguimos. O interrompido, negado. Eu nunca vou saber o que havia atrás da porta, da máscara, da voz. Restaram apenas destroços do nosso enigma que estará sempre enterrado em meu coração, preenchido de quases, de tentativas e falhas. 

"I know someday you'll have a beautiful life..."
Black - Pearl Jam

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

Correndo pela brisa da cidade.


Abri minha bolsa e retirei um, coloquei-o entre meus lábios e em um flash de luz a fumaça misturou-se com o ar. Fiquei parada ali te observando ir embora com todas as suas verdades atrás dos olhos, apelos na língua e mãos dormentes. Todas as suas palavras eram tragadas por mim, eu pude sentir a sua respiração correr meu pulmão e depois caminhar na brisa diurna. Talvez eu devesse esperar mais uns cinco minutos, caso você voltasse e revirasse seus olhares em busca de decência nos meus, mas não sobrou nada, uma gota mínima de limpidez.
Eu sabia que você não voltaria e alucinadamente eu me perdia entre os espaços do tempo sentada na cadeira daquele café, cada tragada manchava o vermelho da minha vida, agora tudo era negro e sublime, negro e solitário assim como os seus inalcançáveis tormentos. Era manhã, o sol aquecia, mas nada queimava, tudo apenas cristalizava e enfeitava o meu céu particular.
Subitamente decidi levantar e deixar as lembranças ali sentadas para o nosso próximo encontro com hora, lugar e traições marcadas não apenas no relógio, mas em nossos rumos. Então caminhei pela rua observando o colorido dos carros que passavam a procura de um destino, cheios de corpos de almas vazias, com suas histórias rasuradas atrás de seus vidros fechados a procura de proteção, a procura de amparo e de independência para viverem seus próprios sentimentos sem precisar esconder-se na sobras das sombras de outros corpos tão perversos. Outro flash de luz diante dos meus olhos, a fumaça de espalha pela avenida levando embora metade de meus anseios e desculpas. Passos lentos e coordenados me levavam a lugar algum, eu não tinha itinerário, não haviam pontos nem embates, apenas eu tragando meus reconhecimentos e lançando nos ares enfeitiçados do centro da cidade.
Meu sofá não era precisamente o melhor retiro no momento, eu precisava aliviar-me em outros espaços, deleitar-me em outras camas e aspirar recriações. Procurei incessavelmente pela pequena agenda no minúsculo espaço da minha bolsa, passei meus dedos pelos nomes e números, por que estavam tão distantes agora? Não pude sentir suas existências tocarem a minha, vaguei meus dedos nervosos por todas as páginas até encontrar teu nome, minha perturbação, minha pulsação, insaciedade, ódio e metade. Não pude, não podia lhe telefonar, era injusto, indigno, uma voz vazia do outro lado da linha me consumiria. Decidi por fechar a agenda e colocá-la na bolsa novamente.
Mais uma vez mesclei meus sentimentos com os da cidade, um flash de milissegundos acendia minhas inspirações. Continuei caminhado sem observar meu redor, continuei deixando tudo para trás e redescobrindo as esquinas. Termino sem rumo, sem paz nem acalanto para repousar minhas mágoas, termino com um cigarro entre os lábios manchado de batom vermelho, tentando fazer parte de um mundo onde o único espaço que me coube foi misturar meus sentimentos com o ar, levando um pouco de mim para as vidas, correndo pela brisa da cidade, levando tão longe até chegar em você. Então meu telefone tocará novamente e recomeçará toda minha jornada achada por estas mesas,  tão conhecidas e inventadas por nós.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012


Vejo todos conseguindo suas vitórias e realizando seus sonhos. Então mais uma vez olho para o céu e pergunto: Quando será minha vez?

A moça do sonho.

Certa noite tive um sonho, sonhei com uma moça de cabelos castanhos levemente caídos na altura dos ombros, com um gracejo e leveza tão próprios como se tivessem sido doados para si. A moça usava apenas um vestido branco de renda, na altura do joelho, sua pele levemente bronzeada iluminava a cor do sol transparecendo sua verdadeira beleza. Seus grandes olhos verdes, olhavam para baixo enquanto ela caminhava e chutava as pedras no chão levantando a poeira.
Ela caminhava, procurando seu rumo, sua direção entre tantos caminhos, qual seguir? A vida estava a levando para outros lugares, sua cabeça fervilhava de ideias, seus amigos já não a interessavam tanto, havia cansado dos mesmos lugares, mesmas pessoas. A moça do sonho buscava aventura, ela queria sair para ver o mundo, seu coração desejava o inesperado. Ela queria correr riscos, sentir medo, queria se sentir livre de tudo que a aprisionava naquele lugar.
Era tão difícil para ela saber o que realmente estava acontecendo, enquanto todos cresciam e tomavam seu rumo, ela sentia medo de estar só. A moça do sonho iniciava a sua busca pelo seu desejo. Olhares colados em janelas de cabines de trens, de aviões e de carros. O mundo lá fora era tão atraente, as fotos e luzes embaraçavam a sua visão a puxava e absorvia. A moça do sonho queria viver, viver era o sonho da moça do meu sonho. Meu sonho era seu sonho. Nós éramos uma só.

Big Brother Brasil: Desabafo.



Começou novamente dia dez o Reality Show mais famoso do Brasil, o Big Brother Brasil. Um programa que conta com participantes esbeltos, sarados, bem empregados e cheios de carisma. Como qualquer programa de tv, existem pessoas que não perdem um só dia e aquelas que resolvem puxar a tomada da tv para evitar desgosto. Produzido pela Endemol e exibido pela Rede Globo de Televisão, o BBB está na sua 12º temporada, o programa tem duração média entre três e quatro meses e no seu final é escolhido através de votos o "novo milionário do Brasil".
Bem, o problema do BBB é o empobrecimento da cultura e a alienação das massas, um problema tão comum no Brasil. Milhões de brasileiros sentam-se em frente aos seus aparelhos de tv para se distrair vendo o "programinha". A Rede Globo fatura milhões com as inúmeras ligações, sms e até mesmo assinaturas pay-per-view para o acompanhamento do mesmo, acreditando em um programa no qual tudo é uma farsa. Não se veem mais empregadas domésticas no BBB, desempregados, pobres de verdade. Apenas pessoas de bem com a vida, bonitas, malhadas, que falam um bom português, baladeiras e afins. Elas entraram por acaso? Óbvio que não. Em uma das edições o próprio "brother" Diego Alemão afirma ter sido convidado para participar da casa: 



Do mesmo jeito que ele foi convidado, a Globo manipula todo o sistema do Reality Show, escolhendo os vencedores ela mesma. Muitas falcatruas rolam por detrás das câmeras, enquanto o povo brasileiro é facilmente manipulado. Ao invés de exibirem programas deste tipo, que empobrecem a mente e não acrescentam nem um pouco de cultura ou conhecimento na vida das pessoas, a Rede Globo deveria investir em programas educativos nos quais ela já exibe, porém, em um horário quase inacessível para todos  (cinco, seis horas da manhã). Todos não deveriam dar ibope a este tipo de programa que apenas atrofia as mentes para o conhecimento, é tudo uma grande farsa. A melhor saída é desligar a tv e ler um livro!
EU DIGO NÃO AO BBB!

quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Propagação ilusória.

"Have I found you? Flightless bird, jealous, weeping...

A música na rádio colore minhas memórias, me transporta para os dias de outono que você estava aqui, dançando lentamente no meio da sala, afagando meus cabelos e reluzindo seu sorriso pelo ar, o céu desbotado recobria nosso momento com pequenos pontos estelares que desabavam sobre nossas cabeças e cobriam o chão de mistério. Quando eu ainda podia enxergar todas as cores nos seus olhos, respirar o seu ar e esquentar minha cabeça no seu peito, quando todos os minutos eram incabíveis no espaço de um dia. Agora eu desespero meus dedos entre suas cartas, me agarro insistentemente as suas recordações, me prendo aos seus cheiros, passo horas pensando em como tudo foi bom, tão bom que esqueci que haveria um final. Ainda posso sentir sua presença nesta sala vazia, entre os escombros das minhas memórias, posso sentir você me observar silenciosamente e rir baixinho, posso ouvir sua voz sussurrar pelos cantos deste lugar. Sinto você, vejo você. Porém vem a brisa me lembrar que é apenas uma propagação ilusória da minha saudade.

...Or lost you? American mouth, big bill looming."

terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Ausência.

Ficou um espaço, um vazio, uma lacuna, um território abandonado. Posso ouvir sua voz ecoando pelos cômodos desta casa, sorrindo pelas paredes, acariciando meus ouvidos. Seus passos lentos raspando pelo piso, fazendo meu corpo esperar pelo calor do seu. O seu cheiro ficou preso nas cobertas, nos colchões, na minha pele. O seu gosto ainda passa pela minha boca, ainda está preso lá. A nossa música preferida tocando na rádio. Cada pedaço meu se desfaz longe de você, como se você estivesse ido trabalhar e a noite voltasse, eu me arrumo e te espero ansiosamente, mas eu sei que você não virá, eu não sei quando você virá novamente.
Os seus detalhes espalhados pelo chão do meu quarto, as lembranças correndo desordenadamente pela minha cabeça, a vontade incessável de sentir sua presença. O você que não está mais aqui, o fantasma que eu criei para sobreviver. O tempo parou desde que você partiu, os ponteiros congelaram e eu não posso mais ouvir o correr das estações, ver o som do tempo. Saudades de você, saudades do que eu fui com você, saudades de nós.

sábado, 10 de dezembro de 2011

As estações de rádio sintonizam a minha nostalgia e transmitem meus sentimentos.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Nós podemos ser heróis, apenas por um dia.

Bom seria viver em condições iguais, onde os mais fracos não seguem leis e o mais fortes não as executam. Onde todos nós poderíamos viver em paz, um lugar que não houvesse hierarquia entre presidentes e população, amigos e melhores amigos, namorados e noivos, pais e mães, pais e filhos. Um lugar onde cada coração tivesse brilho próprio para escolher seu caminho sem dar explicações a ninguém. 
Talvez esse mundo tenha se perdido em algum espaço, onde meus olhos não podem ver. Então continuo aprisionada aqui, neste lugar que minha voz não emite som, meus olhos não veem imagens, o único barulho audível são as vozes de escárnio por todos os lados, cercando minha alma e obscurecendo a luz que há ao redor. O ar que me cerca ainda me prende, procuro desesperadamente por libertação. Gostaria de viver em um mundo onde meus desejos pudessem ser realizados, e eu pudesse ser quem sou sem medo. Mas ao despertar dos olhos, tudo escorre em meus dedos como pó. Utopia, adormecida dentro de mim.

"Nós podemos ser nós, apenas por um dia..."
David Bowie

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

Enterrando confissões.

Respire minha alma, hoje eu irei dormir seu sono. Sinta meus sonhos, amanhã meu coração morrerá. Decore-o como um túmulo e distribua nossas memórias sobre ele. Absorva minha pele, amanhã seremos um só. 

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Talvez seja a hora de tirar as poesias da gaveta para reescrevê-las em sorrisos, vê-las brilhar nas esquinas e refletir nas paredes desta cidade morta.

sábado, 12 de novembro de 2011

O seu texto.

Eu nunca escrevi um texto sobre você, não diretamente, talvez eu tenha te citado sinuosamente em alguma dessas linhas mal escritas, ou me debruçado em cima de um teclado em busca de descrições comparáveis a você. Mas eu nunca me referi aos seus modos, aos seus defeitos diretamente, nunca te chamei pelo nome nas entrelinhas, sempre te restou a dúvida: Ela falou comigo? Não sei, nem eu sei se era para você. Talvez eu nunca tenha escrito um texto para ninguém, nem para mim, nunca decidi destinatários, a não ser em cartas ou em declarações por redes sociais. Um pouco egoísta, até comigo mesma. Agora você merece um texto, um pouco de sentimento depositado em minhas palavras, falando realmente de você.
Nunca imaginei que viria se tornar tanto, quando eu conheci você naquele inverno, em um dos lugares mais inusitados que uma pessoa poderia conhecer a outra. Eu te achei bonito, nós tínhamos o mesmo gosto musical, poderia ter sido paixão instantânea, mas não foi. Lembro do seu joguinho de sedução barata, tentando me convencer que um dia eu seria a sua esposa e nós moraríamos na Inglaterra. Eu te achava um amor, porém, muito puxa saco. Também porque eu era superdecidida-autosuficiente (incapaz de pensar em algo que não fosse eu) e você continuava com a sua ideia totalmente sem noção de me ter para você. 
O tempo passou, mesmo quando naquele tempo isto parecia impossível e a cada dia que o calendário levava eu te achava menos bom, legal, bonito ou qualquer coisa que significasse boas qualidades. Você havia se tornado tudo que eu odiava, pelo simples fato de gostar de mim e eu não merecia o seu amor, eu não merecia o amor de ninguém pela simples incapacidade de retribuir. Como fiz de todas as formas para te mandar embora, te mostrei todos os modos de fugir de mim. Você não foi. Não. Eu queria saber o que te fazia continuar, pois não haviam razões consideráveis. O tempo passou.
Quantas as vezes eu te deixei sozinho para fazer coisas mais interessantes, ou até inúteis, só porque ficar com você era impossível. Quantas brigas eu arrumei por motivos banais? Nem me arrisco contar. O pedido mais estranho do mundo, com a resposta que você já sabia, mas me fez ficar tão mal pelo simples fato que eu odiava ter que te magoar, infelizmente eu estava começando a te levar a sério...
Daí você decide mudar, decide tocar sua vida para frente e arrumar outra pessoa. Você segue perfeitamente e faz de conta que eu não existo, você continua e eu fico atrás te olhando ir e perguntando: Ei, você não volta? Eu não ouço resposta sua. Nenhuma reação. Nada. Percebi que a coisa ficou séria e talvez você estivesse começado a me esquecer, e vem os ciúmes, uma crise, um avalanche de ciúmes que eu não podia demonstrar. Não consegui admitir para mim que o quadro havia invertido.
Então você me procura, me revira, me faz a cabeça, e completa o pedaço. Então tudo fica para trás, e a gente se acerta, você fica feliz, eu fico feliz! Somos felizes juntos pela primeira vez, enquanto o tempo passa e eu percebo que valeu a pena tudo o que você fez, quando ninguém mais arriscaria fazer. Enquanto tudo era novo e a descoberta começava toda manhã, um simples "oi, eu te amo" faria o dia sorrir, faria a manhã acordar e lembrar que era você e quase deixei passar.
Eu amo seu sorriso, amo o modo que você fala comigo quando estou triste e me faz companhia quantas horas for preciso, e lembro de todos os apelidos que você já pôs em mim. Você, é sempre você. Sua voz e olhares me acalmando, fazendo lembrar que a vida é boa. Adoro seu jeito bobo de me contar piadas e arrumar razões inacreditáveis para me irritar só para rir de mim e depois me dizer que eu sou boba. Também odeio quando você mente e eu sei que está mentindo, ou quando tenta se fazer de vítima e tem crises de pessimismo, ou quando você me repreende por algo que eu fiz ou porque deixei de comer verdura no almoço  e fui dormir com o cabelo molhado. Amo e odeio todos os seus cuidados, todo seu zelo e toda sua admiração.
Queria entender qual a razão de eu te amar, eu não sei. Talvez porque você é tudo aquilo que eu queria ser e não consigo, porque tem toda paciência que há no mundo e um coração gigante. Enquanto eu sou desastrada, impaciente e temperamental. Você é a calma, a serenidade e eu sou a emoção. Quem sabe porque quando estou ao seu lado eu posso ser quem sou porque você vai entender. E quando eu contar uma piada boba você vai rir de mim, e vai contar outra logo após. Não é preciso cópias, as nossas diferenças nos alimentam e nos fazem assim. Descobri que me pareço com você, ou talvez você se pareça comigo. Que seja!
Agora escrevi um texto para você, diretamente para você, eu não irei me arrepender de nenhuma palavra dita. Você sempre será o meu melhor amigo. Não preciso citar nomes, o seu coração está pregado aqui, como um mural, eu o decorei com meus sentimentos. Está aí, com amor: O seu texto.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Recanto de sentimentos.

Queria poder lutar contra as verdades que me fazem aos pedaços quando eu insisto em você. Queria refletir seus olhos no espelho e descobrir seu coração, juntar seus fragmentos e montar meus sentimentos. Assim, cada pedaço seu seria meu, não haveria mais individualidade naquele momento eu e você seriamos nós.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Mistérios e luz.

Jack encostou sua cabeça em meu ombro e desarrumou os meus cabelos. Ficou por instantes parado me olhando com seu olhar enigmático. Eu sabia que ele queria me contar algo, porém eu não sabia o que. Era sempre muito difícil pra mim desvendar seus mistérios, o Jack tinha um coração próprio e seus mistérios eram profundos como feridas que não cicatrizam. Como um oceano profundo, que ao mergulharmos nos revela outra dimensão. Eu me perdia em seus mistérios.
Me mexi um pouco para o lado e o encarei. Ele permanecia calmo e distante. Passei minhas mãos pelos seus cabelos e desci até seu rosto, toquei-o com calma e então ele me olhou.
— Jack, o que houve?
— Queria te contar uma coisa — abaixou os olhos  mas não consigo.
— Seja lá o que for, eu quero saber...
Ele manteve seus olhos abaixados, e quando os levantou me encarou e disse:
— Sabia que eu te amo muito, e mudaria toda minha vida por você?
Desta vez fui eu quem abaixou o olhar, e finalmente percebi que talvez os mistérios do Jack me intrigavam tanto por todos se resumirem a mim. — sorri um pouco — eu amo você também.

domingo, 30 de outubro de 2011

Soleil

Paris, 20 de Março de 1965.

Eu sinto sua falta, Sophie. Eu sinto falta de seus olhos ansiosos brilhando para mim, com uma cor tão própria que não ouso desvendar. Como eu queria sentir seus braços ao meu redor novamente, ouvir o som da sua voz e o meu sorriso preferido, aquele que você dá olhando de lado... Os dias já não são fáceis, desde que eu te disse adeus. Naquele tempo eu não percebia o quanto você era importante em minha vida, o quanto você significava vida pra mim, eu era apenas um garoto. Agora não sei mais onde você está. Talvez esteja feliz, triste, solitária em um desses assentos de avião, talvez pense em mim o tanto quanto penso em você. Eu daria tudo para dizer uma única vez que você é o que eu mais amo no mundo, que a minha vida não é nada sem a sua para completá-la, sou apenas uma metade vazia.
O que eu tinha de mais precioso no mundo era você, e agora eu te perdi. A melhor coisa que existia em minha vida era você, e eu nunca admitia isso, pois tinha medo de amar. Quebrei minhas promessas, fui um egoísta infantil. Apenas por um segundo eu queria retirar você de mim, porém eu não consigo. O seu fantasma me mantém vivo, é por ele que eu saio mundo afora em busca do inesperado. Quantas vezes eu tentei te substituir, é tão vão, você foi a melhor, eu nunca acharei alguém para ocupar seu lugar, por isso desistir de tentar. Preciso de ti em minha vida. É você, e sempre será, Sophie. 
Lembra-se daquele outono  em Lyon? Quando a banda tocava nossa música, e eu te segurei para nunca mais soltar, quando dançamos durante toda a noite. Você era a garota mais linda daquela festa, mesmo com sapatos velhos e vestidos emprestados, você era maravilhosa com sua voz sussurrando entre os espaços do meu corpo  - "Soleil je t'aime et pour toujours. Tu es fidèle mais l'amour n'est pas souvent comme toi. Pourquoi?”
De tanto amor que recebi de ti, me desfiz de todos seus agrados. Você sempre estivera ali, imóvel, de braços abertos para mim, com seu sorriso no rosto, mãos macias e cabelos desalinhados. Todo amor do mundo era meu. De tanto medo de te perder, eu te perdi, não quis te fazer infeliz. Eu te tornei infeliz.
Talvez você nunca receba esta carta, talvez receba e guarde, ou se desfaça. Eu entendo você, não merece minhas palavras novamente. Mas por favor, se acaso algum dia sentir desejo de encontra-las, pense em mim, e no quanto eu te amo! Eu sempre te amarei. Te peço perdão mil vezes, eu não vivo sem você. Estarei eternamente te esperando...


Para sempre seu,
Bernard.

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Milhas de Solidão.

Como sufoco, me dou ao desespero dos loucos e me esmoreço aos poucos. Como metade de uma vida não vivida, meu tempo perdido retratado na cantiga.
A felicidade passou, eu sinto falta dos raios de sol. O mundo parou ou eu esqueci de andar? Não há muitas razões para amar, quando amanhã o sonho romperá.
Não posso mais me sentir vivo. Vivo faz-se quem viveu, quem morreu faz-se vencido. Como magníficas nuvens no céu, puras como papel, esqueci de vê-las ontem.
Procurando inúmeras razões para ser infeliz, correndo pelas ruas, sorrisos e escárnio não fora tudo que sempre quis? Destruindo corações, repetindo canções com a dor das manhãs.
Salvando os loucos de sua insanidade, sofrendo de um mal cruel: O sufoco da tristeza, amorteceu teu coração. Agora o que tu és? Breves linhas de um poema, como letras de canções misturadas com minhas memórias. Como ocorrem mudanças. Ontem tu quisera ser mais, hoje a vida sussurra entre os dedos e escapa.
Em meu coração amedrontado faço-te destas palavras uma história inexata. De tudo que tu quis, diluiu e fez-se nada.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Para guardar.

Poesias baratas, escritas em qualquer esquina, em qualquer mesa de bar.
Poesias baratas, escritas por sentimentos vis, por mentes estagnadas. Poesias baratas, escritas quando penso em você, escritas em horas como essa.
Poesias baratas, quando penso na vida, presente, passado e futuro se unem formando o que sou.
Poesias baratas, quando as jogo por aí, esperando ser identificadas, para aprender quem nós somos, sugar nossos sentimentos e sondar nossas mentes.
Estas poesias baratas que nos ensinam mentiras sobre a vida, nos falam sobre amor e esperança, nos criam ilusões. São aquelas mal escritas e rasuradas, esperando por desesperados e loucos, esperando por amor - esperando por nós.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

O paraíso ao meu lado.

As palavras não tem direção, elas são cuspidas por meus pensamentos e reorganizadas no papel. Não há alguma intenção quando as escrevo, a mente se enche e esvazia todas elas criando uma ideia utópica, não sei para onde estou indo; apenas sei que quando terminar, tudo que está aqui fará algum tipo de sentido. Toca todas as almas, toda todos os sentidos, talvez meu coração.

Terminações iniciadas.

Que fosse eterno e momentâneo, doce e salgado, apaixonante e odioso, piegas e ranzinza, fantástico e comum, sensual e desarrumado, meticuloso e desatento, fiel e traiçoeiro, sábio e irracional, simples e complexo, rápido e demorado. Que fosse todos os paradoxos cabíveis numa linha, que fosse todos os sentimentos inexplicáveis recobertos por nós. Somos como eles, nos anulamos todo o tempo. Somos baseados em oximoros intermináveis, incabíveis e completos.