Eu nunca escrevi um texto sobre você, não diretamente, talvez eu tenha te citado sinuosamente em alguma dessas linhas mal escritas, ou me debruçado em cima de um teclado em busca de descrições comparáveis a você. Mas eu nunca me referi aos seus modos, aos seus defeitos diretamente, nunca te chamei pelo nome nas entrelinhas, sempre te restou a dúvida: Ela falou comigo? Não sei, nem eu sei se era para você. Talvez eu nunca tenha escrito um texto para ninguém, nem para mim, nunca decidi destinatários, a não ser em cartas ou em declarações por redes sociais. Um pouco egoísta, até comigo mesma. Agora você merece um texto, um pouco de sentimento depositado em minhas palavras, falando realmente de você.
Nunca imaginei que viria se tornar tanto, quando eu conheci você naquele inverno, em um dos lugares mais inusitados que uma pessoa poderia conhecer a outra. Eu te achei bonito, nós tínhamos
o mesmo gosto musical, poderia ter sido paixão instantânea, mas não foi. Lembro do seu joguinho de sedução barata, tentando me convencer que um dia eu seria a sua esposa e nós moraríamos na Inglaterra. Eu te achava um amor, porém, muito puxa saco. Também porque eu era superdecidida-autosuficiente (incapaz de pensar em algo que não fosse eu) e você continuava com a sua ideia totalmente sem noção de me ter para você.
O tempo passou, mesmo quando naquele tempo isto parecia impossível e a cada dia que o calendário levava eu te achava menos bom, legal, bonito ou qualquer coisa que significasse boas qualidades. Você havia se tornado tudo que eu odiava, pelo simples fato de gostar de mim e eu não merecia o seu amor, eu não merecia o amor de ninguém pela simples incapacidade de retribuir. Como fiz de todas as formas para te mandar embora, te mostrei todos os modos de fugir de mim. Você não foi. Não. Eu queria saber o que te fazia continuar, pois não haviam razões consideráveis. O tempo passou.
Quantas as vezes eu te deixei sozinho para fazer coisas mais interessantes, ou até inúteis, só porque ficar com você era impossível. Quantas brigas eu arrumei por motivos banais? Nem me arrisco contar. O pedido mais estranho do mundo, com a resposta que você já sabia, mas me fez ficar tão mal pelo simples fato que eu odiava ter que te magoar, infelizmente eu estava começando a te
levar a sério...
Daí você decide mudar, decide tocar sua vida para frente e arrumar outra pessoa. Você segue perfeitamente e faz de conta que eu não existo, você continua e eu fico atrás te olhando ir e perguntando: Ei, você não volta? Eu não ouço resposta sua. Nenhuma reação. Nada. Percebi que a coisa ficou séria e talvez você estivesse começado a me esquecer, e vem os ciúmes, uma crise, um avalanche de ciúmes que eu não podia demonstrar. Não consegui admitir para mim que o quadro havia invertido.
Então você me procura, me revira, me faz a cabeça, e completa o pedaço. Então tudo fica para trás, e a gente se acerta, você fica feliz, eu fico feliz! Somos felizes juntos pela primeira vez, enquanto o tempo passa e eu percebo que
valeu a pena tudo o que você fez, quando ninguém mais arriscaria fazer. Enquanto tudo era novo e a descoberta começava toda manhã, um simples "oi, eu te amo" faria o dia sorrir, faria a manhã acordar e lembrar que era você e quase deixei passar.
Eu amo seu sorriso, amo o modo que você fala comigo quando estou triste e me faz companhia quantas horas for preciso, e lembro de todos os apelidos que você já pôs em mim. Você, é sempre você. Sua voz e olhares me acalmando, fazendo lembrar que a vida é boa. Adoro seu jeito bobo de me contar piadas e arrumar razões inacreditáveis para me irritar só para rir de mim e depois me dizer que eu sou boba. Também odeio quando você mente e eu sei que está mentindo, ou quando tenta se fazer de vítima e tem crises de pessimismo, ou quando você me repreende por algo que eu fiz ou porque deixei de comer verdura no almoço e fui dormir com o cabelo molhado. Amo e odeio todos os seus cuidados, todo seu zelo e toda sua admiração.
Queria entender qual a razão de eu te amar, eu não sei. Talvez porque você é tudo aquilo que eu queria ser e não consigo, porque tem toda paciência que há no mundo e um coração gigante. Enquanto eu sou desastrada, impaciente e temperamental. Você é a calma, a serenidade e eu sou a emoção. Quem sabe porque quando estou ao seu lado eu posso ser quem sou porque você vai entender. E quando eu contar uma piada boba você vai rir de mim, e vai contar outra logo após. Não é preciso cópias, as nossas diferenças nos alimentam e nos fazem assim. Descobri que me pareço com você, ou talvez você se pareça comigo. Que seja!
Agora escrevi um texto para você,
diretamente para você, eu não irei me arrepender de nenhuma palavra dita. Você sempre será o meu melhor amigo. Não preciso citar nomes, o seu coração está pregado aqui, como um mural, eu o decorei com meus sentimentos. Está aí, com amor:
O seu texto.