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segunda-feira, 19 de março de 2012

Ensaio sobre saudade.

Parece que você está só, algo te falta e fica latente gritando por algo que ocupe o vazio e desesperadamente você corre em busca de vestígios para refazer suas lembranças. Aquela súbita vontade de virar lixo cósmico, pó estelar - se desfazer - se esconder para sempre onde ninguém mais possa te encontrar. Ir à um lugar onde o mundo não possa gritar as obrigações ao pé do teu ouvido, onde os sentimentos dos outros não irão atormentar os teus e te atrair.
Me sinto assim, mereço um lugar só meu, eu mereço ser feliz de verdade ao menos uma vez, está na hora de receber meu prêmio, mas onde ele está? Tantos anos esperando a minha recompensa, o pagamento e ele nunca vem. Espero eternamente na fila dos desesperados e qualquer indício de luz, eu volto a me animar como uma criança que deseja diversão, até alguém me destruir novamente.
Na realidade, fui mal acostumada. Mal acostumada por você e pelos outros, por esta mania insignificante que transborda dentro de mim de achar que eu estou esperando por algo que nunca virá, pela esperança que todos insistem em alimentar enquanto eu a sufoco. 
Foi amor, foi amor demais a todas as coisas, foi colocar muito amor em tudo que fiz e esperar que todas estas coisas me amassem de volta, que grande fantasia da minha alma pedinte por um pouco de atenção. As coisas nunca me reconheceriam, elas são carentes de toda minha empatia.
Então me isolo, procuro abrigo em mim pro abismo que eu criei. Tento me salvar de mim, fingir que esqueci o que faço questão de relembrar a cada mísero segundo e quando observo que não há mais solução, me desfaço aos pouquinhos como pétalas no outono, vou espalhando de pedacinho em pedacinho como grãos de areia levados pelo vento, vou me afastando de tudo que me corrói. Deixo amigos, lugares, lembranças. Porém é tudo em vão, afasto-me fisicamente, mas deixo meus olhos para tomarem conta de todos.

domingo, 27 de novembro de 2011

Happy you're gone.

Respire-me toda vez que você fechar os olhos
Sinta o meu gosto toda vez que você chorar
Essa memória irá desaparecer e morrer
Só por hoje, respire-me e diga adeus 
Porque cada palavra vinda de você é uma mentira.

Placebo

sábado, 10 de setembro de 2011



Minha doce dor se esconde por trás de um sorriso, comprado, corrompido, feliz fingido. Penso, dispenso explicações. Não controlo meu super-ego. Impossível entender minha tristeza, já desisti não existe porquê. Sou apenas mais um alegre deprê. (Móveis Coloniais de Acaju)

Uma razão para sorrir.

"Amigos com quem eu possa conversar, sair e me divertir como eu sempre sonhei. Poderíamos conversar sobre livros e política e poderíamos fazer vandalismo à noite que tal? Hein? Ei eu não consigo deixar de arrancar os cabelos! Por favor! Porra, Jesus Cristo Todo-Foderoso ame a mim, a mim, a mim, podemos continuar a título de experiência por favor eu só preciso de uma plateia, uma gangue, uma razão para sorrir. Eu não o sufocarei. Ah merda, merda, por favor há alguém aí? Alguém, qualquer um, Deus me ajude, ajude-me por favor eu quero ser aceito. Preciso ser aceito. Estou tão cansado de chorar e sonhar estou muito, muito só. Não há ninguém aí? Por favor ajude-me, AJUDE-ME!" (Kurt Donald Cobain)

segunda-feira, 22 de agosto de 2011


These Days.


Fácil para você dizer, seu coração nunca foi partido, seu orgulho nunca foi roubado.  Ainda não, ainda não.

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Can I have this dance?


Conceda-me esta dança?

Neste baile dançaremos até nossas almas cansarem, dançaremos até nossos rostos se encontrarem, até as músicas cansarem de tocar para nós. Nesta noite eu vou te abraçar e nós seremos como um só, a madrugada embalará nosso sentimento, eu vou te olhar e você corresponderá, nós iremos sorrir e saber que tudo está bem. 
Neste baile as máscaras cobrirão os rostos e os sorrisos. Cobrirá os seus e os meus, pois eu sei que você não estará aqui, você não irá dançar comigo a noite toda, a madrugada será apenas mais um intervalo de tempo, as músicas serão meras cancões tocadas por qualquer pessoa, meu espirito se cansará de estar só e nossos rostos estarão separados.

Neste baile, os meus sonhos não existem.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

1954





Daqui não vejo o tempo passar, daqui não sinto o gosto doce, não sinto o aroma da manhã e não toco as suaves pétalas das flores. Um lugar fechado, a prisão que eu vivo, tão escura e fria. Esqueci como é o mundo lá fora, primaveras não existem, passei cinquenta invernos aqui. Não vejo a luz do sol, a morte flui dessas paredes, a tristeza exala de mim, a solidão alugou meus olhos como lar. Vejo os ponteiros girarem e a cada segundo cortam a minha carne, dilaceram, mas eu não sinto minhas chagas, não vejo cicatrizes. Minhas feridas tornaram parte de quem sou. Aqui não se aprende a viver, e sim a morrer. Meus fragmentos de vida foram exterminados, partículas de luz se apagaram, esqueci como é que se vive, desaprendi a reinventar meus dias.
Não sei o que faço aqui, não sei como cheguei, ninguém me trouxe, ninguém me mostrou como, ninguém partiu. Não sei o caminho de volta, não sei como regredir, apaguei as pistas e tranquei meus cadeados. Se eu gritar? Ninguém me escuta. Estou muito longe para ser ouvida, todos vivem lá fora, eu sou a sombra em suas vidas. Cinquenta anos jogados fora e eu ainda não aprendi a morrer, me conformo todos os dias, mas a lição nunca acaba. Neste lugar esquecido, sombrio e triste. Sou apenas mais uma vítima. não há solução, entradas ou saídas, não há calendários, não há dias marcados. Aqui nada é nada. Nada é tudo.

sábado, 6 de agosto de 2011




She's leaving home after living alone for so many years.

A clandestinidade da culpa.

Não fui eu, juro. 


Não há motivos para você falar de mim, não há motivos para tanto desprezo, para tantas palavras que arranham meu rosto, deixando marcas. Não compreendo toda sua revolta contra mim, eu gostaria de saber o que eu faço de tão ruim para que você me trate de tal maneira.
Todos os dias eu tento te agradar, sou a primeira pessoa que te ajuda quando você chora, sou aquela que recolhe suas lágrimas e seca suas pálpebras, eu assumo seu papel quando você não está. Mas por quê? Eu só queria ser uma pessoa boa para você, queria que você me reconhecesse e elogiasse, eu queria ser algo bom na sua vida, mas infelizmente não passo de um pedaço solto, vago, vazio para você. 
Te peço perdão todas as vezes que erro, porém, quantas vezes você me pediu perdão? Quantas vezes você percebeu o estrago que havia feito, as palavras lançadas, e feridas deixadas? Raras. Só precisava de suas desculpas e reconhecimento, é isso que venho esperado todos esses anos, mas você não vê, está cega demais ocupada com sua vida, com as outras pessoas que cercam ela, porque você não pode perdê-las! Portanto você me perde todos os dias, cada partícula minha se afasta de você a cada dia, eu me sinto afastada e a culpa é sua.
Chegará o dia em que eu sairei por aquela porta, não levarei as chaves, pois não precisarei voltar, não levarei notícias, eu estarei indo para sempre para um lugar onde seu egoísmo não possa me tocar, onde sua ingratidão não me veja. Estarei mais perto de ser feliz.
Obrigada por tudo que você já fez, eu nunca te pedi nada em troca, eu queria que  a recíproca fosse verdadeira, mas ela não é. Você nunca dá de graça, você nunca dá apenas uma mão... Você sempre espera em troca, cobra, fere e exige que eu reparta meus desejos para satisfazer os seus. Cansei, eu cansei. A culpa não é minha, não jogue seus tormentos em cima de mim, não quero dividi-los com você, me recuso. Carregue-os sozinha, leve-os para longe de mim. Você me desgasta. A culpa é sua, prefiro assim.

sábado, 24 de julho de 2010

Você pensou que conhecia.


Eu nunca saberei quando estou certa, eu nunca vou saber quando estou agindo da maneira certa e tomando a decisão mais adequada. São tantas escolhas, são tantas opções e caminhos para seguir, eu me perco em meio a tudo isso, em meio a todas as vozes que ecoam em minha cabeça, sempre paro, sempre congelo, vivo nesse impasse.
Tentar... pode ser bom, mas quanto mais eu penso menos chego a uma conclusão, meu cérebro dói ao relembrar de tudo, não sabia que seria tão difícil assim, eu não sabia que eu sentiria tudo desse modo, não assim. Retiraria todas minhas palavras se pudesse, faria tudo diferente, nunca teria me sentado naquela mesa e conversado. Com apenas uma conversa minha visão mudou, meu dia mudou, tudo ao meu redor mudou.
Não sei se foi a escolha certa, abrir mão assim, não sei se foi justo comigo mas com certeza eu fui justa com alguém e isso alivia o peso, isso não me deixa tão convencida de que errei, quem sabe eu não tenha errado, agi por inocência, foi uma tremenda confusão e todos ao mesmo tempo tentam reparar e ninguém obtém resultado, apenas se embaraçam, se afundam e se prendem a algo que não é seu. Eu não posso maldizer meu passado, e minhas escolhas, quando pensei em todas elas avaliei qual seria melhor, qual me faria feliz! Infelizmente nenhuma, me sinto melhor assim - sem opções - por enquanto.
Quando pensei em alguma delas, pensei que seria a melhor para mim, mas o tempo passa e arrasta algumas das minhas certezas, fazendo com que elas pareçam devaneios, transformando-as em erros, em confusões. Preferi ter a razão que a escolha, felizmente essa não foi a definitiva e tudo isso parecia ser a melhor coisa a ser feita, mas não foi, foi uma distorção de uma fase perfeita. Terminou, como tantas coisas terminam. Ou nunca terá fim, ou apenas recomeçou. Será que um dia vou saber? Prefiro não arriscar.