Paris, 20 de Março de 1965.
Eu sinto sua falta, Sophie. Eu sinto falta de seus olhos ansiosos brilhando para mim, com uma cor tão própria que não ouso desvendar. Como eu queria sentir seus braços ao meu redor novamente, ouvir o som da sua voz e o meu sorriso preferido, aquele que você dá olhando de lado... Os dias já não são fáceis, desde que eu te disse adeus. Naquele tempo eu não percebia o quanto você era importante em minha vida, o quanto você significava vida pra mim, eu era apenas um garoto. Agora não sei mais onde você está. Talvez esteja feliz, triste, solitária em um desses assentos de avião, talvez pense em mim o tanto quanto penso em você. Eu daria tudo para dizer uma única vez que você é o que eu mais amo no mundo, que a minha vida não é nada sem a sua para completá-la, sou apenas uma metade vazia.
O que eu tinha de mais precioso no mundo era você, e agora eu te perdi. A melhor coisa que existia em minha vida era você, e eu nunca admitia isso, pois tinha medo de amar. Quebrei minhas promessas, fui um egoísta infantil. Apenas por um segundo eu queria retirar você de mim, porém eu não consigo. O seu fantasma me mantém vivo, é por ele que eu saio mundo afora em busca do inesperado. Quantas vezes eu tentei te substituir, é tão vão, você foi a melhor, eu nunca acharei alguém para ocupar seu lugar, por isso desistir de tentar. Preciso de ti em minha vida. É você, e sempre será, Sophie.
Lembra-se daquele outono em Lyon? Quando a banda tocava nossa música, e eu te segurei para nunca mais soltar, quando dançamos durante toda a noite. Você era a garota mais linda daquela festa, mesmo com sapatos velhos e vestidos emprestados, você era maravilhosa com sua voz sussurrando entre os espaços do meu corpo - "Soleil je t'aime et pour toujours. Tu es fidèle mais l'amour n'est pas souvent comme toi. Pourquoi?”
De tanto amor que recebi de ti, me desfiz de todos seus agrados. Você sempre estivera ali, imóvel, de braços abertos para mim, com seu sorriso no rosto, mãos macias e cabelos desalinhados. Todo amor do mundo era meu. De tanto medo de te perder, eu te perdi, não quis te fazer infeliz. Eu te tornei infeliz.
Talvez você nunca receba esta carta, talvez receba e guarde, ou se desfaça. Eu entendo você, não merece minhas palavras novamente. Mas por favor, se acaso algum dia sentir desejo de encontra-las, pense em mim, e no quanto eu te amo! Eu sempre te amarei. Te peço perdão mil vezes, eu não vivo sem você. Estarei eternamente te esperando...
Para sempre seu,
Bernard.