segunda-feira, 16 de janeiro de 2012
Correndo pela brisa da cidade.
Abri minha bolsa e retirei um, coloquei-o entre meus lábios e em um flash de luz a fumaça misturou-se com o ar. Fiquei parada ali te observando ir embora com todas as suas verdades atrás dos olhos, apelos na língua e mãos dormentes. Todas as suas palavras eram tragadas por mim, eu pude sentir a sua respiração correr meu pulmão e depois caminhar na brisa diurna. Talvez eu devesse esperar mais uns cinco minutos, caso você voltasse e revirasse seus olhares em busca de decência nos meus, mas não sobrou nada, uma gota mínima de limpidez.
Eu sabia que você não voltaria e alucinadamente eu me perdia entre os espaços do tempo sentada na cadeira daquele café, cada tragada manchava o vermelho da minha vida, agora tudo era negro e sublime, negro e solitário assim como os seus inalcançáveis tormentos. Era manhã, o sol aquecia, mas nada queimava, tudo apenas cristalizava e enfeitava o meu céu particular.
Subitamente decidi levantar e deixar as lembranças ali sentadas para o nosso próximo encontro com hora, lugar e traições marcadas não apenas no relógio, mas em nossos rumos. Então caminhei pela rua observando o colorido dos carros que passavam a procura de um destino, cheios de corpos de almas vazias, com suas histórias rasuradas atrás de seus vidros fechados a procura de proteção, a procura de amparo e de independência para viverem seus próprios sentimentos sem precisar esconder-se na sobras das sombras de outros corpos tão perversos. Outro flash de luz diante dos meus olhos, a fumaça de espalha pela avenida levando embora metade de meus anseios e desculpas. Passos lentos e coordenados me levavam a lugar algum, eu não tinha itinerário, não haviam pontos nem embates, apenas eu tragando meus reconhecimentos e lançando nos ares enfeitiçados do centro da cidade.
Meu sofá não era precisamente o melhor retiro no momento, eu precisava aliviar-me em outros espaços, deleitar-me em outras camas e aspirar recriações. Procurei incessavelmente pela pequena agenda no minúsculo espaço da minha bolsa, passei meus dedos pelos nomes e números, por que estavam tão distantes agora? Não pude sentir suas existências tocarem a minha, vaguei meus dedos nervosos por todas as páginas até encontrar teu nome, minha perturbação, minha pulsação, insaciedade, ódio e metade. Não pude, não podia lhe telefonar, era injusto, indigno, uma voz vazia do outro lado da linha me consumiria. Decidi por fechar a agenda e colocá-la na bolsa novamente.
Mais uma vez mesclei meus sentimentos com os da cidade, um flash de milissegundos acendia minhas inspirações. Continuei caminhado sem observar meu redor, continuei deixando tudo para trás e redescobrindo as esquinas. Termino sem rumo, sem paz nem acalanto para repousar minhas mágoas, termino com um cigarro entre os lábios manchado de batom vermelho, tentando fazer parte de um mundo onde o único espaço que me coube foi misturar meus sentimentos com o ar, levando um pouco de mim para as vidas, correndo pela brisa da cidade, levando tão longe até chegar em você. Então meu telefone tocará novamente e recomeçará toda minha jornada achada por estas mesas, tão conhecidas e inventadas por nós.
Filme: Quase Famosos
Quase famosos ou Almost Famous é um filme estadunidense exibido em 2000. O filme retrata a cena musical dos anos 70, contando a história da primeira turnê da banda fictícia Stillwater que está sendo acompanhada por um jornalista amador, o William Miller recém contratado da Rolling Stone. O filme, escrito por Cameron Crowe conta suas próprias experiências quando jovem enquanto acompanhava uma turnê do Led Zeppelin e no elenco contamos com a Kate Hudson (Noivas em Guerra) a lindíssima Zooey Deschanel (500 dias com ela), Patrick Fugit (Galera do Mal) e o Billy Crudup (Watchmen).
O filme valoriza a cena rock n' roll contando com citações, posters e referências a vários ícones do estilo. Com uma trilha sonora impecável, o filme conta com canções do Led Zeppelin, The Who e Elton John. Para aqueles que gostam de cinema e rock n' roll, fica a dica!
domingo, 15 de janeiro de 2012
A Alegria na Tristeza.
"Pode parecer confuso mas é um alento. Olhe para o lado: estamos vivendo numa era em que pessoas matam em briga de trânsito, matam por um boné, matam para se divertir. Além disso, as pessoas estão sem dinheiro. Quem tem emprego, segura. Quem não tem, procura. Os que possuem um amor desconfiam até da própria sombra, já que há muita oferta de sexo no mercado. E a gente corre pra caramba, é escravo do relógio, não consegue mais ficar deitado numa rede, lendo um livro, ouvindo música. Há tanta coisa pra fazer que resta pouco tempo pra sentir. Por isso, qualquer sentimento é bem-vindo, mesmo que não seja uma euforia, um gozo, um entusiasmo, mesmo que seja uma melancolia. Sentir é um verbo que se conjuga para dentro, ao contrário do fazer, que é conjugado pra fora. Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento. Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida. Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada."
Uma crônica da Martha Medeiros.
Uma crônica da Martha Medeiros.
sábado, 14 de janeiro de 2012
Playlist.
Os três álbuns mais ouvidos da semana:
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| V - Legião Urbana (1991) |
| The Rise and Fall of Ziggy Stardust and Spiders from Mars - David Bowie (1972) |
| Humbug - Arctic Monkeys (2009) |
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Os artistas mais ouvidos de 2011.
Gente, o site da Last.fm divulgou os 100 artistas mais ouvidos de 2011 em seu site. A extensa lista conta com os mais diversificados estilos musicais, como Indie Rock, Pop e Hip-Hop. Achei bem interessante a iniciativa, pois o site conhecido por hospedar músicas de diversos artistas. Podemos observar veteranos como Roxette e até bandas pouco conhecidas, porém, com ótima qualidade musical como o The Pains Of Being Pure at Heart. A novidade não para por aí! Também há a lista das maiores revelações do ano e do número de scrobbles (execuções) de cada artista de acordo com os eventos relacionando seus nomes. Para todos aqueles interessados em música, vai uma dica: Vale a pena conferir!
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| Clique aqui. |
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
A moça do sonho.
Certa noite tive um sonho, sonhei com uma moça de cabelos castanhos levemente caídos na altura dos ombros, com um gracejo e leveza tão próprios como se tivessem sido doados para si. A moça usava apenas um vestido branco de renda, na altura do joelho, sua pele levemente bronzeada iluminava a cor do sol transparecendo sua verdadeira beleza. Seus grandes olhos verdes, olhavam para baixo enquanto ela caminhava e chutava as pedras no chão levantando a poeira.
Ela caminhava, procurando seu rumo, sua direção entre tantos caminhos, qual seguir? A vida estava a levando para outros lugares, sua cabeça fervilhava de ideias, seus amigos já não a interessavam tanto, havia cansado dos mesmos lugares, mesmas pessoas. A moça do sonho buscava aventura, ela queria sair para ver o mundo, seu coração desejava o inesperado. Ela queria correr riscos, sentir medo, queria se sentir livre de tudo que a aprisionava naquele lugar.
Era tão difícil para ela saber o que realmente estava acontecendo, enquanto todos cresciam e tomavam seu rumo, ela sentia medo de estar só. A moça do sonho iniciava a sua busca pelo seu desejo. Olhares colados em janelas de cabines de trens, de aviões e de carros. O mundo lá fora era tão atraente, as fotos e luzes embaraçavam a sua visão a puxava e absorvia. A moça do sonho queria viver, viver era o sonho da moça do meu sonho. Meu sonho era seu sonho. Nós éramos uma só.
Ela caminhava, procurando seu rumo, sua direção entre tantos caminhos, qual seguir? A vida estava a levando para outros lugares, sua cabeça fervilhava de ideias, seus amigos já não a interessavam tanto, havia cansado dos mesmos lugares, mesmas pessoas. A moça do sonho buscava aventura, ela queria sair para ver o mundo, seu coração desejava o inesperado. Ela queria correr riscos, sentir medo, queria se sentir livre de tudo que a aprisionava naquele lugar.
Era tão difícil para ela saber o que realmente estava acontecendo, enquanto todos cresciam e tomavam seu rumo, ela sentia medo de estar só. A moça do sonho iniciava a sua busca pelo seu desejo. Olhares colados em janelas de cabines de trens, de aviões e de carros. O mundo lá fora era tão atraente, as fotos e luzes embaraçavam a sua visão a puxava e absorvia. A moça do sonho queria viver, viver era o sonho da moça do meu sonho. Meu sonho era seu sonho. Nós éramos uma só.
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